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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Resenha



Título: 

ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE

Autora: 

KÁTIA REBELLO

Editora: 

PAPA- LIVRO

Ano: 2016


"Até que a morte os separe" é um livro envolvente, escrito por Kátia Rebello, publicado em 2016, pela Editora Papa-livro. Contém quinze capítulos, distribuídos em 232 páginas de uma narrativa, com uma história confessional, escrita em primeira pessoa. Uma narrativado tipo cinematográfica, um romance juvenil. 
Li em uma tarde de domingo. Decidi fazer o comentário, por provocar na leitora reflexões e impertinência, por conta das memórias de filmes e roteiros  semelhantes na construção.  
Quando olhei a capa, imaginei se tratar de uma aventura policial, regada a mistérios e assassinatos, mas não tinha nada disso. Olhei os subtítulos, a dedução continuou a mesma, entretanto, ao ler as resenhas fiquei meio intrigada. Deduzi se tratar de uma história romântica com elementos modernos, mas me surpreendi aos poucos, porque a narrativa foi me deixando curiosa. Decidi  ler com olhos criticos. E a curiosidade, às  vezes, mata o gato, e neste caso ele era o " Gato Preto", um bar em que os amigos se encontravam, a partir deste  lugar tudo poderia vir a acontecer, e acontecia. 
Na verdade, as complicações sentimentais provinham apenas da cabeça, dos desejos e dos sonhos não realizados desde a adolescência pela "mocinha" da história, cujo "bandido" se constituía na figura antagônica do "libertino" e, mesmo, da amiga "libertina", por conta de  querer cometer o "sacrilegio" do "casamento". 
Porém, as agonias estavam na mente da narradora-personagem, que havia se dedicado aos estudos, e esquecera dos sonhos de menina, e que possuía, sem saber, um admirador secreto . Talvez por conta das separações, inclusive dos pais e de optar por ficar sozinha, enquando se tornava uma "jovem madura", que estava prestes a se formar na faculdade, suas complicações psicológicas a traíam.
Não tinha me dado conta do quanto a narrativa cinematográfica havia me seduzido ao entretenimento com a história de um romance juvenil e seu desfecho. 
Não me pareceu uma história policial ou uma aventura, perfil consagrado da escritora K. Rebello. "Até que a morte os separe" reporta-se ao sacramento do Matrimônio, desejado ardentemente pela adolescente sonhadora, sendo  uma narrativa envolvente do tipo "sessão matinê  aos domingos". Aquela história leve e envolvente que te prende por conter os elementos necessários: amor, confissões, frustrações, desejos contidos, segredos juvenis,  sexo e rock in roll, finais surpreendentes. 
Nessa leitura concentrada, percebi uma narrativa agradável em primeira pessoa. A leitora colocou -se a vivenciar as complicações sentimentais  da narradora-personagem, decidida a ajudar uma amiga a se livrar dos "sonhos absurdos" de se casar com quem mal conhecia"; daí veio a necessidade de não cortar a leitura e, sim, de ler em um fôlego temporal da tarde, tal qual em uma matinê. A presença nuclear da narradora-personagem define as impressões e dá o fio condutor da narrativa, porque envolve a leitura. O tempo oscila entre o passado, o sonho e o presente representado pelos diálogos dos personagens. Tudo acontece a partir das certezas e incertezas, elocubrações e impertinência, valores e convicções da personagem Patrícia, a mocinha virgem em busca de um amor verdadeiro em meio às vivências de um pensamento feminista, que parecia ter uma convicção clara em relação aos casamentos e aos homens em geral, meros subterfúgios. Mas, a vida naquele momento lhe mostraria que havia cometido um erro. Porém, a vida também lhe mostraria que sempre há uma segunda chance, basta deixar fluir os acontecimentos. 
Recomendo a leitura do livro " Até que a morte os separe" porque você, leitor, será convidado a desvendar e a dar uma solução aos arroubos juvenis dos personagens. Um livro escrito para todos, mas a leitora, com certeza, será arrebatada para o interior da narrativa como parte integrante do livro. A separação entre a leitora e a escrita somente termina no findar a última  linha, aí está a preciosidade do enredo e do livro.

Escrito por Luciene Fontão 
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P S. Biografia da Autora.