(Ensaio de Luciene Fontão)
Leatrice Moellmann Pagani merece toda a nossa saudade, reverência e consideração. Uma grande mulher! Uma musa das Academias, a Princesa dos Poetas.
Poetisa, descendente de alemães e açorianos, nascida em 22 de abril de 1925, em Florianópolis. Formada em Direito e Literatura Brasileira pela UFSC. Foi professora do Instituto Estadual de Educação e taquígrafa do Supremo Tribunal Federal. Morou em Brasília e no Rio de Janeiro. Viajou pelo mundo.
Pertencia à ACL - Academia Catarinense de Letras (Cadeira 14) e à ASAJOL - Academia São José de Letras (Cadeira 27), ao IHGSC - Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (1994), à Academia Desterrense de Letras e à Academia de Letras de Biguaçu .
A saudosa escritora Maura de Senna Pereira chamava Leatrice de a "Florbela Espanca Brasileira" por conta da característica lírico-amorosa dos poemas e do conjunto da obra poética.
Leatrice escreveu poemas, contos e ensaios. Dentre muitas outras obras, citamos: "Confissões de Amor" (1987, Florianópolis), "Em busca de ti" (1990 no Rio de Janeiro), "Depois do Verão" (1997 em Florianópolis na Coleção ACL 25). "Gatos Ariscos" (1998, Florianópolis), Amor Anos 90 (1999, Florianópolis), "Anita-mulher - Uma trajetória de Amor" (2000), "Na História da minha vida" (2010, Florianópolis).
Como uma entusiasta em ensaiar sobre a Cultura Catarinense e sobre o contexto histórico-cultural da Ilha de Santa Catarina, de 1881 a 1890, fez um importante trabalho acadêmico, publicado em livro "A obra inédita de Carlos de Faria e a Guerrilha Literária em Santa Catarina" (1994).
A Professora escritora se distingue por ser uma narradora precisa, manejando a língua com classe, usando construções sintáticas adequadas, coesas e coerentes, vocabulário rico e diversificado, com responsabilidade e rigor técnico. Fez parte do movimento modernista do Grupo Sul, publicando na Revista Sul em 1954.
São seus versos em homenagem à mulher:
Poema: "Alma Branca"
(Leatrice Moellmann)
Mulher que ama, sente, vive e chora
A mendigar por este mundo vão
Raios de sol, provérbios de outrora,
Feixes de ouro, para encher o coração...
Mulher que ama, e sente, e sofre, e implora
De alma humana um pouco de afeição...
Mulher que ama, e sente, e vibra, e adora
E é calcada aos pés da multidão:
És tudo, mulher, a negra de alma pura
Que por teres na pele a cor escura
A sociedade te estigmatizou!
Olha pra ela: é pobre e anda de rastro;
Cega, não vê esse fulgor de astros
Que te apagar na alma não logrou.
( Revista Sul, 1954)
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A Musa das Academias morreu em 08/04/2019, em Florianópolis, para onde voltou a residir e a produzir desde a aposentadoria do STF, em meados de 1980. A sessão Saudade aconteceu na Casa José Boiteux, em 27/06/2019, com a presença de representantes de todas as castas literárias, às quais pertencia, presidida a sessão pelo Presidente da ACL, Poeta Liberato Manuel Pinheiro Neto.
Na coletânea antológica da ASAJOL, "Sinfonia Poética e Prosa", organizada e revisada por Artemio Zanon, nos volumes 6 a 9, encontra-se publicado um rico texto biográfico, rol das obras e poemas escritos nos últimos anos por Leatrice Moellmann Pagani, cadeira 27.
A escritora destaca-se por sua atuação entusiasta das associações literárias da sociedade Catarinense, bem como por ter recebido prêmios, medalhas e troféus, dos quais citamos: Medalha de Prata no Prêmio de Literatura Internacional Maestrale San-Marco "Marengo D' Oro" (2004), em concurso promovido pelo Centro Culturale de Gênova, na Itália e o Troféu Maricotinha de Literatura Catarinense, oferecido pela Federação das Academias de Letras de Santa Catarina (2004).
O poema "Como Vinícius" apresenta a preferência literária da poetisa, em que se observa uma forte influência da casta poética em Vinicius de Moraes, vejamos uma alusão ao Amor-paixão, tema de sua preferência:
Poema: Como Vinícius
" Amo-te com amor quase juvenil
Às vezes. De um querer tão terno e puro
Que me vejo aninhada e gentil
Entre teus braços fortes e seguros,
Num assombro de sonhos pueril.
Outras vezes, meu sonho é maduro,
Voluptuoso, sensual, febril,
As cordas do meu ser, Num claro-escuro,
Vibrando de equinócios e a solstícios
Por todo corpo, em toda latitude.
Então te digo, como diz Vinícius:
Amo-te como bicho simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente."
( Leatrice Moellmann in capítulo V do livro de poemas "Amor anos 90" )
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Referências
1. MOELLMANN, Leatrice. "Sedução". Florianópolis: Academia Catarinense de Letras, Coleção 25, 2004. Organização: Lauro Junkes.
2. MOELLMANN, Leatrice. A obra inédita de Carlos Faria e a Guerrilha Literária em Santa Catarina. Florianópolis/SC: Editora da UFSC e FCC Edições, 1994.
3. Academia São José de Letras. Sinfonia Poética e Prosa. São José: ASAJOL, 2014. Vol. 9. Organização e Revisão Artemio Zenon.
4. Boletim Informativo "O Trinta-reis". Academia São José de Letras. São José/SC. Março/Abril 2012 - Ano XVI - n.61. p. 8
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