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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Crônica da cidade

 


Língua  Portuguesa

Atividade Complementar 39

Crônica sobre a Cidade

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Objetivos

1. Ler  o gênero  textual e discursivo Crônica e compreender as suas características.

2. Conhecer a Biografia da cronista Antonieta de Barros, escrita por sua irmã Leonor de Barros.

3. Conhecer a letra da  música "No Rancho Fundo" na voz de Ary Barroso e a biografia do cantor e compositor de "Aquarela do Brasil". Se for possível, escute a melodia.

4. Produzir um texto sobre a cidade onde você mora. 

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I. Leitura  da  Crônica  da Cidade: " O número das coisas santas"

        "O número das cousas santas. Vida, morte e ressurreição. Quando a cidade desperta. O que vimos do retângulo aberto dum gabinete Disse-nos, há dias alguém, que três é o número de todas as cousas santas. E, matutando sobre o assunto, depois de encontrarmos várias cousas santas, pusemo-nos a pensar que o mistério da existência consta, também, de três fases: vida, morte e ressurreição.

Jesus, a pedra angular do cristianismo, viveu, morreu e ressuscitou. A própria natureza que vive no verão, morre no inverno, para ressurgir, milagrosamente, na primavera. E, entre os humanos, os que não ressuscitam no juízo final, segundo uns, ressuscitarão, para outras vidas, segundo outros.

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A ressurreição traz consigo um fundo de harmonia sedutora, um como que vestígio de candura, dum sossego espiritual não encontrado dentro da vida – luta, por excelência – e da morte – estagnação completa.

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        O despertar das cidades, a sua volta à vida, tem, nos primeiros instantes, um encanto maravilhoso.

Florianópolis, a capital pequenina engastada – na Ilha dos ocasos deslumbrantes, com os seus contornos verdes, tem o despertar das crianças sadias.

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Do retângulo aberto do meu gabinete, numa dessas manhãs sufocantes (quando nos convencemos de que, de fato chegar à janela é de certa modo, sair de casa, sem de ela arredar o pé) assistimos em parte, à ressurreição da cidade.

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As casas sonolentas, ainda, abrem as janelas, vagarosamente, numa displicência de quem tem saudade do sossego. A passos apressados passam o operariado: homens, com o cigarro ao canto da boa, deixando, no caminho percorrido, uma tênue nuvem de fumaças... E as mocinhas das fábricas, sobraçando embrulhos, conversando fatos do serviço, rindo muito.

Depois... Os empregados do comércio: elas ligeiras, passo miúdo, pulverizando-se, olhando ao espelho da bolsa; eles, ajeitando o colarinho, arrumando a gravata... E toda essa gente que caminha apressada, tem um único objetivo: - a conquista nobilitante do pão de cada dia.

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Nessa hora de ressurreição, o mercado e o açougue são os pontos de maior convergência. Para lá se dirige uma multidão, mais ou menos apressada, mais ou menos descansada, uma parte munida de balaios, a outra, de jornais, muito dobrados... E os comerciantes abrem os estabelecimentos, enquanto, na rua, os vendedores ambulantes, cantando sempre, em tons diversos, apregoam as suas mercadorias.

Lá para os lados da Praça 15, ouvem-se os gritos dos garotos, anunciando o jornal da manhã.

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Trepidando sobre o paralelepípedo das ruas, passam velozes fonfonando, os autos e os ônibus. Carroças de pão e carrinhos cruzam-se, numa ânsia de vida, de conquista, de trabalho. Garotos, olhos meio cerrados, mãos nos bolsos, chapéu no alto da cabeça, num desafio ao futuro misterioso, assobiam, gostosamente, a canção em voga: - No Rancho Fundo. E a cidade, risonha e feliz, entoando, sob diferentes aspectos, um hino ao trabalho, ressurge para a vida..."

(ILHA, Maria da. (Pseudônimo de Antonieta de Barros). Farrapos de Ideias. Florianópolis: Imprensa Oficial, 1937;1971; 2001)

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         Prezado Leitor, 

         Na crônica reproduzida acima, Antonieta de Barros descreve a cidade como sendo “Florianópolis, a capital pequenina engastada – na Ilha dos ocasos deslumbrantes, com seus contornos verdes, tem o despertar das crianças sadias” A cronista descreve e comenta sobre o despertar de um dia comum, de uma segunda-feira depois do feriado, o cotidiano na Ilha de Santa Catarina das pessoas comuns. Na crônica, a autora descreve o povo e trata de enaltecer os movimentos dos moradores, dos trabalhadores humildes que fazem o comércio pulsar. O estilo de descrever e de comentar sobre as coisas na qual debruça o seu olhar, mostra uma escritora atenta aos acontecimentos do cotidiano, observadora do jeito de ser das pessoas do lugar, as mesmas pessoas que fazem a cidade ganhar vida e som. Abaixo, para você conhecer,  uma biografia da escritora, professora e cronista Antonieta de Barros, escrita por sua irmã Leonor de Barros, publicada na segunda edição do livro "Farrapos de Ideias" em 1971.

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NOTAS BIOGRÁFICAS de Antonieta de Barros  (Por Leonor de Barros)

"Maria da Ilha é o nome literário de Antonieta de Barros, a autora desse livro (Farrapos de Ideias). De origem humilde, descendente de família pobre, a Negrinha, como a chamavam na intimidade, nasceu em Florianópolis, a 11 de julho de 1901. Educada exclusivamente por sua Mãe que lhe “fortificou o espírito”, (é a mesma Antonieta de Barros quem diz) aprendeu como o amor e a dedicação ao trabalho, a perseverança na concretização de um Ideal são fatôres válidos e decisivos na realização das criaturas. Queria ser professora e o foi plenamente, sendo considerada uma das melhores educadoras do seu tempo. Deus lhe deu fôrça de vontade e sabedoria bastantes para nulificar os complexos de casta ou de cor que pudessem perturbá-la, prejudicando-lhe a ascensão. E venceu em sua própria terra. E a maldade dos medíocres não prevaleceu contra o seu extraordinário destino. Na verdade, abriu o próprio caminho e soube cristalizar suas qualidades de educadora, dando à Santa Catarina o melhor de sua inteligência para a educação da juventude. Dela, poder-se-ia dizer que foi “operária de si mesma”. Projetou-se no seio da comunidade catarinense como professora, escritora, jornalista e política. Fundou e dirigiu até a época de sua morte o curso primário que lhe tomou o nome e que cerrou as portas, em 1964, após 42 anos de funcionamento, quando já se haviam passado doze anos do falecimento da fundadora. Integrou o corpo docente do Colégio Coração de Jesus de Florianópolis, dirigido pelas Irmãs da Divina Providência, ocupando as cadeiras de Português e Psicologia (de 1937 a 1945). Em 1944, foi nomeada diretor do Instituto de Educação e colégio Dias Velho e ali permaneceu, até princípios de 1951, quando se aposentou. Enérgica, correta, honesta e humana, gozava de alto conceito entre os alunos que a respeitavam e admiravam, principalmente, pelo espírito de justiça da educadora que a todos amava e acolhia “sem distinguir”. Integrou a Constituinte de 1935 e foi a primeira mulher, em Santa Catarina, que pisou como deputado, o Congresso Legislativo. Esteve entre os deputados que se asilaram no quartel do 14º B. C., para garantir a eleição do Dr. Nereu Ramos à governança do Estado. Voltou ao Congresso, em 1948. Colaborou em diversos jornais no Estado e além fronteiras. Sua vida podemos dizer, foi uma mensagem de estímulo a quantos desejarem dar rumo ascendente à existência. Faleceu aos 51 anos de idade, a 28 de março de 1952. Seu enterro foi uma verdadeira consagração. Seus restos mortais descansam, com os de sua Mãe, Catarina de Barros, no cemitério de S. Francisco de Assis, em Florianópolis". (Impresso nas Oficinas ETEGRAF LTDA, Estreito – Fpolis – SC. – 1971).

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II. Exercitando a leitura e a compreensão  e interpretação do texto do gênero discursivo CRÕNICA.

1. Como a cronista descreve a cidade?

2. Quem são os personagens que aparecem no texto?

3. Qual é o dia da semana observado pela cronista? 

4. Que comparação a cronista traz das coisas santas e o despertar  da cidade?

5. Que elementos discursos podem ser extraidos do texto que caracterizam o tempo e a época  em que ocorre a cena descrita?

6. Qual música está sendo citada na crônica? 

7. O texto foi publicado no jornal, trata-se de um texto do gênero narrativo e opinativo. Assinale a alternativa que caracteriza o gênero discursivo Crônica.

a) (   )  Narrativa romanceada, repleta de acontecimentos surpreendentes.

b) (   ) Descrição de paisagens e pessoas.

c) (   ) Narra um acontecimento do Cotidiano, por meio de linguagem clara e objetiva.

d) (   ) E' um texto que mostra fatos e/ou acontecimentos do Cotidiano, com comentário do cronista.

e) (   ) Todas as alternativas são verdadeiras.


8. Sobre a biografia de Antonieta de Barros, responda através da produção de uma parágrafo, resumindo as informações.

a) Onde e quando nasceu Antonieta de Barros?

b) Qual era a sua Profissão?

c) O que ela fez de importante?

d) Quantas vezes Antonieta de Barros foi Deputada? 

e)Que Leis foram criadas e defendidas por ela?

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III. Leia a Letra da Música e/ ou escute a melodia: " No Rancho Fundo" na voz de Ary Barroso, em seguida, responda ao que se pede;

Para  ler e ouvir, acesse o link:  https://m.letras.mus.br/ary-barroso/322007/

a) Ao ler a letra da música, reflita e escreva. De que trata a música? 

b) Que lugar a letra da música descreve ?

c) Quem vive no lugar descrito na Letra da Música?

d) Como é o personagem e o que sente?

IV.  Pesquise: Quem foi Ary Barroso? Leia a biografia do cantor e compositor da Música Popular Brasileira. Ouça  a linda musica " Aquarela do Brasil", um hino ufanista sobre a terra e a gente brasileira.

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V . Produção de texto. Com base no texto lido e na letra da música, faça um texto sobre a cidade onde você vive e/ ou mora. Mãos  à  obra.

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Gabarito: 

II. 1. "Florianópolis, a capital pequenina engastada na Ilha dos ocasos deslumbrantes, com seus contornos verdes, tem o despertar das criancas sadias."

2. Os personagens que aparecem no texto: a narradora observadora, empregados do comércio, homens de gravata,  mocinhas das fábricas, multidão de pessoas para os lados do mercado, comerciantes, vendedores ambulantes, garotos vendendo jornal, motoristas de carros fonfonando.

3. O dia descrito trata-se de uma segunda-feira, após o feriado de Páscoa. 

4. No feriado, tudo fica fechado e a cidade para e fica deserta, sem uma viva alma; na segunda- feira, tudo volta a funcionar e as pessoas a circularem pelo Centro da cidade. A cidade vai morrendo no sábado à tarde, domingo morre e ressurge na segunda-feira.

5. O Uso de palavras como: cousa, engastada, ocaso, fonfonando. O comportamento e a vestimenta dos personagens. Circulação de carroças de pão, dentre outros aspectos da narrativa da crônica. 

6. A música é " No Rancho Fundo".

7. D

8. Resposta pessoal.

III. a) A música trata de citar um lugar, as características desse lugar, a pessoa que ali vive e o sentimento de saudade e tristeza que possui.

b) O lugar é um  rancho, uma casa de sapê,  que fica pra lá do fim do mundo, longe da cidade, sem árvores ou pássaros,  de onde se vê a lua no quintal em noite de sereno.

c) O moreno de olhos tristes e profundos, cantor e tocador de viola. 

d) O Moreno é uma pessoa pobre, triste, fumante, sente a dor e saudade da morena. O personagem é triste e solitário.

IV.  Texto escrito pelo estudante. Resposta Pessoal.

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