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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Leitura de Machado de Assis

Língua Portuguesa

Atividade Complementar 38

Apólogo

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Objetivos


1. Ler o texto Apólogo de Machado de Assis. 


2. Compreender e Interpretar o texto e o contexto.


3. Produzir um texto, refletindo sobre a mensagem veiculada pelo autor  no texto "Apólogo", empregando adequadamente as concordâncias verbais e nominais. 

4. Representar a história do texto em quadrinhos.  

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Prezado Leitor,

        Na atividade complementar  proposta sobre  o texto "Apólogo " do autor Machado de Assis, vamos exercitar a análise de leitura  de uma  fábula em  linguagem verbal,  escrita na Língua Portuguesa do Brasil, veiculada em versão para livro didático. O texto original foi veiculado pela primeira vez no século XIX em aporte Jornal escrito.

       Observe com atenção. O texto escrito suscita a imaginação do leitor e exige uma contextualização temporal mental, a respeito da personificação dos personagens alfinete, agulha de linha, que travam um diálogo filosófico sobre a função das coisas e as vantagens em cada ofício.

        As atividades podem ser realizadas no seu caderno, fotografadas e encaminhadas por e-mail.

        Bons estudos e boas leituras! Saudações, Profa Dra Luciene Fontão.

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VERBETES:

APÓLOGO  - (De origem Grega: apólogos e do Latim apologu).  Substantivo masculino. Historieta mais ou menos longa, que ilustra uma lição de sabedoria e cuja moralidade é expressa como conclusão. História mítica repleta de símbolos, faz parte da seleção feita por Paulo Ronal e Aurélio Buarque de Holanda das Lendas, fábulas, diálogos e apólogos, parábolas, paródias, textos que podem ser considerados a origem do conto universal. (Costa, Cecília. O Globo - 01.05.1999, apud Dicionário Aurélio Século XIX, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999.  p. 168).

FÁBULA  - (Do Latim fabula). Substantivo Feminino. Historieta de ficção de cunho popular ou artístico. Narração breve., de caráter alegórico, em verso ou prosa, destinada a ilustrar um preceito. Exemplo: as fábulas de La Fontaine. Nessa acepção, semelhante à Apólogo. Mitologia, lenda. Narração de coisas imaginárias; ficção. ( Idem, p.870).

JORNAL - (Do italiano giorna. Substantivo masculino. Periódico de folhas soltas encasadas, no qual se publica notícias, entrevistas, comentários, anúncios, informações úteis para o público. Qualquer noticiário, acompanhado ou não de comentário, dado a público através de rádio, televisão, cinema, ou de quadro mural. ( Ibidem, p.1164)

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I. LEITURA - "Apólogo" de Machado de Assis

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Leia. Observe. Reflita. Responda as questões. Produza. Apólogo - Texto publicado originalmente em  "Várias Histórias" de Machado de Assis. 

 APÓLOGO 

(Machado de Assis)

 

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?

- Deixe-me, senhora.

- Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

- Mas você é orgulhosa.

- Decerto que sou.

- Mas por quê?

- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

- Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

- Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...

- Também os batedores vão adiante do imperador.

- Você é imperador?

- Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana - para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

- Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: - Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!


(Referência:  ASSIS, Machado . Contos. Série  Bom Livro. 20 Edição.  São Paulo: Editora Ática, 1985. P. 89-90)


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II. Compreensão e Interpretação do texto escrito em Língua Portuguesa do Brasil.


1. Quem são os personagens da história escrita?


2. Onde se passa o conflito dos personagens?


3. O que os personagens discutem? Por quê?


4. Qual o comportamento das personagens descritas no decorrer do texto? 


5. Que adjetivos são atribuídos a cada uma das personagens?


6. Explique o que você compreendeu ao chegar no final da história sobre o que disse o Professor de Melancolia no último parágrafo?


7. Quem tirou vantagem da situação em relação ao baile: a linha, a agulha ou o alfinete? Como você deduz isso? Comente.


8. A quem pertencia o vestido? E para quê  objetivo o vestido estava sendo produzido pela costureira? 


9.  Após uma nova leitura do excerto, reflita sobre "A Moral da história": 

" Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me esperam, fico.", é o que diz alfinete para a agulha. 

Na sua opinião, é possível  seguir o Conselho do alfinete? Que implicação teria essa questão no conteúdo do Apólogo? Seria possível a agulha abdicar do seu ofício de costurar e ficar apenas espetada no pano? 


10. Retire do texto a interjeição que representa o barulho da costura, enquanto a costureira cosia? 


11.  Faça a correlação entre as colunas, refletindo sobre a concordância nominal entre os nomes e a verbal nas orações e frases. 

 Coluna 1 - Frases.


a) Era uma vez uma agulha, que disse a  um novelo de linha.


b) Então os vestidos e os enfeites de nossa ama, quem os cose, senão eu?


c) Estavam nisso, quando a costureira chegou à casa da baronesa.


d) Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano diante.


Coluna 2 - Explicação da concordância.

(   ) O artigo combina em gênero ( feminino e masculino) e em número ( singular e plural) com o substantivo que acompanha.

( ) O verbo da oração que compõe o predicado concorda em pessoa e número com o sujeito da oração.

(   ) Com o uso da  expressão "Um e outro" o verbo concorda no plural. Quando for usado " Uma ou outra o verbo concorda e fica no singular. Exemplo: "Uma ou outra fica no cesto de costura". 

(  ) Quando o sujeito da frase for o pronome "Quem", o verbo concorda em terceira pessoa do singular. 


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III. Dialogicidade entre o texto e o contexto temporal da história. 


1.  Quem faz o vestido? Em que parte do texto da história isso fica claro? Retire a frase do texto. 


2. Em que época se passa a história e quais acontecimentos contextualizam a história? Como você deduziu isso?


3. Onde seria o baile? E por que foi um acontecimento histórico para o Brasil e a sociedade da Corte brasileira? A partir de que palavra presente no texto se infere tal informação?



4. "Coso" é o verbo coser na primeira pessoa do discurso no tempo presente. Conjugue o verbo no futuro do presente. Formule uma frase.


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Dicas de Leitura:


1. Para ler obras de Machado de Assis e sobre sua vida. Acesse o link.:   http://Machado.mec.gov.br/   


Dica de Vídeo:


 Assista também o vídeo baseado no texto " Apólogo". Acesse o link.: http://machado.mec.gov.br/videos-lista/item/5-um-apologo


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IV. Produzindo...

 Crie uma história utilizando objetos personificados , tal qual os personagens do texto "Apólogo ". Você pode fazer através de história em quadrinhos, se preferir e/ou na linguagem escrita. Mãos à  obra!


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Boas leituras! Bons estudos!

Profa Dra. Luciene Fontão


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Gabarito em breve. 

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