Atividade Complementar 38
Apólogo
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Objetivos
1. Ler o texto Apólogo de Machado de Assis.
2. Compreender e Interpretar o texto e o contexto.
3. Produzir um texto, refletindo sobre a mensagem veiculada pelo autor no texto "Apólogo", empregando adequadamente as concordâncias verbais e nominais.
4. Representar a história do texto em quadrinhos.
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Prezado Leitor,
Na atividade complementar proposta sobre o texto "Apólogo " do autor Machado de Assis, vamos exercitar a análise de leitura de uma fábula em linguagem verbal, escrita na Língua Portuguesa do Brasil, veiculada em versão para livro didático. O texto original foi veiculado pela primeira vez no século XIX em aporte Jornal escrito.
Observe com atenção. O texto escrito suscita a imaginação do leitor e exige uma contextualização temporal mental, a respeito da personificação dos personagens alfinete, agulha de linha, que travam um diálogo filosófico sobre a função das coisas e as vantagens em cada ofício.
As atividades podem ser realizadas no seu caderno, fotografadas e encaminhadas por e-mail.
Bons estudos e boas leituras! Saudações, Profa Dra Luciene Fontão.
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VERBETES:
APÓLOGO - (De origem Grega: apólogos e do Latim apologu). Substantivo masculino. Historieta mais ou menos longa, que ilustra uma lição de sabedoria e cuja moralidade é expressa como conclusão. História mítica repleta de símbolos, faz parte da seleção feita por Paulo Ronal e Aurélio Buarque de Holanda das Lendas, fábulas, diálogos e apólogos, parábolas, paródias, textos que podem ser considerados a origem do conto universal. (Costa, Cecília. O Globo - 01.05.1999, apud Dicionário Aurélio Século XIX, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999. p. 168).
FÁBULA - (Do Latim fabula). Substantivo Feminino. Historieta de ficção de cunho popular ou artístico. Narração breve., de caráter alegórico, em verso ou prosa, destinada a ilustrar um preceito. Exemplo: as fábulas de La Fontaine. Nessa acepção, semelhante à Apólogo. Mitologia, lenda. Narração de coisas imaginárias; ficção. ( Idem, p.870).
JORNAL - (Do italiano giorna. Substantivo masculino. Periódico de folhas soltas encasadas, no qual se publica notícias, entrevistas, comentários, anúncios, informações úteis para o público. Qualquer noticiário, acompanhado ou não de comentário, dado a público através de rádio, televisão, cinema, ou de quadro mural. ( Ibidem, p.1164)
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I. LEITURA - "Apólogo" de Machado de Assis
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Leia. Observe. Reflita. Responda as questões. Produza. Apólogo - Texto publicado originalmente em "Várias Histórias" de Machado de Assis.
APÓLOGO
(Machado de Assis)
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
- Deixe-me, senhora.
- Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
- Mas você é orgulhosa.
- Decerto que sou.
- Mas por quê?
- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
- Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
- Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...
- Também os batedores vão adiante do imperador.
- Você é imperador?
- Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana - para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
- Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: - Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
(Referência: ASSIS, Machado . Contos. Série Bom Livro. 20 Edição. São Paulo: Editora Ática, 1985. P. 89-90)
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II. Compreensão e Interpretação do texto escrito em Língua Portuguesa do Brasil.
1. Quem são os personagens da história escrita?
2. Onde se passa o conflito dos personagens?
3. O que os personagens discutem? Por quê?
4. Qual o comportamento das personagens descritas no decorrer do texto?
5. Que adjetivos são atribuídos a cada uma das personagens?
6. Explique o que você compreendeu ao chegar no final da história sobre o que disse o Professor de Melancolia no último parágrafo?
7. Quem tirou vantagem da situação em relação ao baile: a linha, a agulha ou o alfinete? Como você deduz isso? Comente.
8. A quem pertencia o vestido? E para quê objetivo o vestido estava sendo produzido pela costureira?
9. Após uma nova leitura do excerto, reflita sobre "A Moral da história":
" Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me esperam, fico.", é o que diz alfinete para a agulha.
Na sua opinião, é possível seguir o Conselho do alfinete? Que implicação teria essa questão no conteúdo do Apólogo? Seria possível a agulha abdicar do seu ofício de costurar e ficar apenas espetada no pano?
10. Retire do texto a interjeição que representa o barulho da costura, enquanto a costureira cosia?
11. Faça a correlação entre as colunas, refletindo sobre a concordância nominal entre os nomes e a verbal nas orações e frases.
Coluna 1 - Frases.
a) Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha.
b) Então os vestidos e os enfeites de nossa ama, quem os cose, senão eu?
c) Estavam nisso, quando a costureira chegou à casa da baronesa.
d) Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano diante.
Coluna 2 - Explicação da concordância.
( ) O artigo combina em gênero ( feminino e masculino) e em número ( singular e plural) com o substantivo que acompanha.
( ) O verbo da oração que compõe o predicado concorda em pessoa e número com o sujeito da oração.
( ) Com o uso da expressão "Um e outro" o verbo concorda no plural. Quando for usado " Uma ou outra o verbo concorda e fica no singular. Exemplo: "Uma ou outra fica no cesto de costura".
( ) Quando o sujeito da frase for o pronome "Quem", o verbo concorda em terceira pessoa do singular.
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III. Dialogicidade entre o texto e o contexto temporal da história.
1. Quem faz o vestido? Em que parte do texto da história isso fica claro? Retire a frase do texto.
2. Em que época se passa a história e quais acontecimentos contextualizam a história? Como você deduziu isso?
3. Onde seria o baile? E por que foi um acontecimento histórico para o Brasil e a sociedade da Corte brasileira? A partir de que palavra presente no texto se infere tal informação?
4. "Coso" é o verbo coser na primeira pessoa do discurso no tempo presente. Conjugue o verbo no futuro do presente. Formule uma frase.
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Dicas de Leitura:
1. Para ler obras de Machado de Assis e sobre sua vida. Acesse o link.: http://Machado.mec.gov.br/
Dica de Vídeo:
Assista também o vídeo baseado no texto " Apólogo". Acesse o link.: http://machado.mec.gov.br/videos-lista/item/5-um-apologo
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IV. Produzindo...
Crie uma história utilizando objetos personificados , tal qual os personagens do texto "Apólogo ". Você pode fazer através de história em quadrinhos, se preferir e/ou na linguagem escrita. Mãos à obra!
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Boas leituras! Bons estudos!
Profa Dra. Luciene Fontão
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Gabarito em breve.
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