Língua Portuguesa
Atividade Complementar 45
Poema e poesia, tempos e poetas
Objetivos
1. Conhecer a poesia através dos tempos.
2. Ler e apreciar
3. Conhecer os poetas e refletir sobre o mundo.
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Dialogando sobre poesia, poemas e poetas
A Poesia consiste em representar, por meio de variadas formas, impressões do eu-lírico. É a manifestação de sentimentos, de inspiração do poeta, uma transmutação do real, do mundo ao redor ou do próprio eu-poético. É também expressão do amor e do culto à natureza. É tanto e um pouco mais...
O poema consiste em um gênero textual , uma realização estrutural e concreta da emoção. De impressões do mundo, por meio de versos, de estrofes, de rimas, de ritmo e de palavras.
Ao ler um poema em voz alta, ao ouvir a poesia, através das palavras, o POETA faz o leitor refletir ou tem essa intenção. Ou, por vezes, o poeta quer simplesmente ser e escrever o versoque lhe aprouver, sem se preocupar com a crítica.
O ouvinte /leitor sente as rimas e o ritmo, a simbologia, a figuratividade da linguagem, observa um conjunto de fonemas, um significado novo, percebe a matéria prima da POESIA e a materialização de sentidos no POEMA.
O POETA expressa suas impressões do mundo, suas ideias sobre a existência, sua interpretação do real, literariamente ou subjetivamente camuflado nas associações de palavras que utiliza em seus versos. Então, toda POESIA é uma realidade recriada, ou, talvez, não.
"Quando plausível, o impossível se deve preferir a um possível que não convença" (Citação atribuída a Horácio, na " Poética Clássica ").
Quando ouço e leio Luís Vaz de Camões, o poeta português quinhentista, quando sinto seus versos, deparo-me com o lirismo dos sonetos e encanta-me a retórica de Os Lusiadas. Fico a imaginar as aventuras e as desventuras do poeta. A recriar a trajetória histórica de homens e de naus, de amores, de venturas e desventuras.
Quando leio a tradução de Aristóteles , Longino e Platão sobre Horácio e a Eneida de Virgílio na poética, observo e penso: eles estabeleceram há muito tempo a técnica que foi sendo ressignificada por muitos estudiosos em milênios, por vezes, copiada, discutida e/ou reverenciada a cada tempo, a cada ciclo literário. E toda vez que se pretende rever os estudos da retórica e da poética, ali o teórico literário retorna, a fim de aprender e de refletir um pouco mais sobre os caminhos e viagens da Poesia. Para, quem sabe, poder entender a contemporaneidade que se apresenta, no contexto atual do teórico literário, e para a percepção e compreensão da própria poesia do século XXI.
O conceito latino que traduz a palavra grega "techne" pela palavra Arte, em plena Renascença, foi trabalhado nos Manuais de Retórica e de Poética no século dezenove. São estudos sobre a criação e a avaliação de obras concretas de Homero, Cícero, Longino e Quintiliano. Paul Vallery criou a "Premier Lecon de Cours de Poetique", em Oeuvres I em Paris, França. Bem como Francisco Freire Carvalho com "Lições elementares de poética nacional" em Lisboa, Portugal, de 1840. Muitos poetas românticos, parnasianos, simbolistas, vanguardistas, modernistas e mesmo os contemporâneos universais beberam nestas regras. Percebe-se que tais lições perduram até hoje.
Um poeta que quer ter sua obra imortalizada deve se aventurar nos ensinamentos dos grandes professores do passado, eis a prescrição ao sabor do tempo. O Sarau continua sendo o encontro de poetas, onde se declamam e cantam-se poesias. Desde a Poesia Palaciana à contemporaneidade nas salas das Academias. A Poesia ainda é cantada e declamada e registrada em letras, em palavras e em poemas ou em prosa poética.
Na obra traduzida do grego e do latim, publicada em 2005, por Jaime Bruna e apresentada por Roberto de Oliveira Brandão, "A Poetica Clássica", vamos encontrar a seguinte citação e as considerações sobre a Leitura de textos poéticos. Considero importante citar aqui estas reflexões sobre a POESIA, através do tempo. É em seguida faço uma lista do que perdura e lemos.
"(...) Diferentes tendências de leitura e interpretação da Poética de Aristóteles, bem como de outras obras antigas, assumem um significado didático (...), pois mostram que, se por um lado, aquele texto goza de um grande poder sugestivo, por outro, revela que cada época vê e compreende o passado de acordo com suas próprias maneiras de pensar. O significado histórico do texto resulta, em última instância, da interação das diversas formas de leituras ocorridas. É, pois, nesse quadro que se insere a necessidade sempre renovada, de voltarmos, diretamente, ao texto da Poética para que as constelações de soluções já cristalizadas não impeça o exercício da reflexão pessoal, o que constitui, certamente, a maior lição deixada pelo estagirita. (...)" (Estagirita refere-se aos estudos de Aristóteles.)
A Poesia através dos tempos dota- nos de um compromisso entre o processo de representação da realidade como fator construtivo e a natureza da realidade representada como efeito de sentido. Porque um poema lido dentro do contexto de época tem um significado histórico e o poema lido sem o devido contexto vai proporcionar ao leitor representações e significados diferentes. Um poema sobrevive ao longo da historia e os poetas transmitem através de gerações o seu olhar sobre o mundo.
Citações...
"Aos poetas, nem os homens, nem os deuses, nem as colunas das livrarias perdoam a mediocridade". (Arte poética, 367-373)
Razão, trabalho e disciplina são os meios com que o poeta realiza os objetivos, para poder chegar à perfeição do fazer poético, assegura Horácio.
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História da Poesia, de poemas e de poetas, segundo uma visão teórico literária, citando alguns, já consagrados... uma lista. Estudos que já existem, outros por fazer e muito a estudar e ler. A poesia é um material vasto de novidades. Mas, somente o tempo mostra as tendências e as cristaliza. Difícil estudar o contemporâneo, porque o tempo faz com que o mundo gire e cada vez mais depressa. O que importa ainda, parece-me é a grande lição de Horácio. Quando mais escrevemos e lemos, mais produzimos. Respeitar as autorias é respeitar a própria arte milenar da Poesia.
1. Antiguidade
O poema Épico mais antigo é a Epopéia de Gilgamesh, terceiro milênio AC.
Os poemas Épicos latinos antigos são a Iliada e a Odisseia de Homero (800-675 A.C).
Épico nacional romano: Eneida de Virgílio.
2. Época Medieval
Cantigas Trovadorescas do século XI
Autos de Gil Vicente, teatro e Poesia Palaciana do século XV.
Lírica de Luís Vaz de Camões e Os Lusiadas - Século XVI.
3. Era Colonial no Brasil
Poesia Cultista de Gregorio de Matos Guerra
Sermões do Padre António Vieira
Arcadia Ultramarina de Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga
Poesia bucólica de José de Santa Rita Durão
4. No Século XIX
As gerações românticas do século XIX no Brasil: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Fagundes Varela, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Junqueira Freire, Sousandrade.
A Poesia Parnasiana: Alberto de Oliveira, Raimundo Corrêa, Olavo Bilac.
A Poesia realista de Machado de Assis
A Poesia de Antero de Quental e Oliveira Martins em Portugal
A arte da sugestão na poesia simbolista de Cruz e Sousa, Alfhonsus de Guimarães. E os franceses: Paul Vallery, Stephane Marlame, Baudelaire.
Augusto dos Anjos e os versos íntimos no final do século XIX.
A Poesia Catarinense do Século XIX
5. No Século XX
As Vanguardas Europeias de final do século e início do novo milênio do século XX.
A Poesia de Fernando Pessoa e a Ode Trinfal de Álvaro de Campos.
A modernidade. Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Alcântara Machado. Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima. Cecília Meirelles, Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector. João Cabral de Melo Neto.
A Pos- modernidade e as Vanguardas Poéticas: Poema- objeto. A poesia concreta de Ferreira Gullar, Décio Pignatari, José Paulo Paes, Manuel Bandeira. A poesia práxis de Arnaldo Freitas Filho, Antonio Carlos Cabral, Mário Chamie.
A Poesia da Bossa-nova, a partir dos anos 1960.
A Poesia da Tropicalia, a partir dos anos 1970.
A Poesia do Ie-ie-ie. Jovem Guarda.
A Poesia protesto dos anos 1980 e o rock nacional.
A Poesia Sertaneja.
A Poesia marginal dos anos 1990.
6. Miscelânea do final do século XX.
Poesia Contemporânea: Miscelânea - Manuel de Barros, Cora Coralina, Adélia Prado, Ana Cristina César, João Moura Júnior, Mário Quintana, Paulo Leminski, Hilda Hilst, Chico Buarque, Arnaldo Antunes.
A Poesia Catarinense do século XX. Os moços da Academia dos anos 30. Delminda Silveira. Maura de Senna Pereira. Leatrice Moellmann Pagani. O Grupo Sul. O Grupo Ilha. O Grupo de Poetas Livres. Os poetas da Poesilha. A Poesia das Academias de Letras.
7. No Século XXI
A Poesia das Academias de Letras e os Saraus.
A Poesia Marginal e a expressão da Palavra.
A Música, o poema e a poesia musicalizada. Infantil. Infanto juvenil. Para os adultos.
As Vanguardas do final do Século XX e início do Século XXI: Poesia Feminista. Poesia Intimista. Poesia das Entranhas. Poesia de Islã. Poesia Protesto. Poesia da Diversidade. Poesia Virtual. Poesia da Libertação.
A Poesia em Santa Catarina. Tendências contemporâneas.
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Verbetes
Verso: Cada linha de um Poema.
Estrofe: Conjunto de versos, na estrutura de um Poema.
Rima: Associações de palavras para dar ritmo e sonoridade ao poema. Uso de fonemas combinados.
Métrica: Uso de sílabas métricas para dar estrutura e volume ao poema. Numeração de sílabas. Técnica.
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Leituras são muitas. Vou citar alguns versos...
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A Poesia
Onde está
a poesia? Indaga-se
por toda parte. E a poesia
Vai à esquina comprar jornal.
(Ferreira Gullar)
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Mudam-se os tempos, mudam as vontades,
Muda -se o ser, muda -se a confiança:
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades. (...)
(Luis Vaz de Camões)
🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟🌟O
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que seja a fingir que é dor
A dor que deveras sente. (...)
(Fernando Pessoa)
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Motivo
Canto porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste
Sou poeta. (...)
( Cecília Meirelles)
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Soneto de Fidelidade
De tudo ao meu Amor serei atento
Antes e com tal zelo e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento. (...)
( Vinicius de Moraes)
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Poema
O grilo procura
no escuro
O mais puro diamante perdido
O grilo
Com suas frágeis britadeiras de vidro
perfura
as implacáveis solidões noturnas.
E se o que tanto buscas só existe
em tua límpida loucura
- que importa? -
isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!
( Mario Quintana)
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A estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão.
( Paulo Leminski)
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e um vaga-lume
lanterneiro que risca
um psiu de luz
( Guimarães Rosa)
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Haja
Hoje
Para
tanto
Ontem
(Paulo Leminski)
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SONETO
Os quinze anos de uma alma transparente,
O cabelo castanho, a face pura,
Uns olhos onde pinta-se a candura
De um coração que dorme, inda inocente.
Um seio que estremece de repente
Do mimoso vestido na brancura,
A linda mão na mágica cintura,
E uma voz que inebria docemente.
Um sorriso tão angélico! Tão santo!
E nos olhos azuis cheios de vida
Lânguido véu de involuntário pranto!
É esse talismã, é essa a Ermida,
O condão de meus últimos encantos,
A visão de minha alma distraída!
(Álvares de Azevedo, um Lira dos Vinte anos)
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Produção de Texto
Após a leitura dos poemas e de excertos de poemas, ensaie seus próprios versos. Faça as suas rimas. Você consegue. Para ser poeta tem que exercitar e, se você tiver uma boa rotina, a Poesia fará parte do seu dia a dia. Basta começar. Boa leitura e mãos à obra.
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Fiquei inspirada depois de ler as Poesias e sobre a biografia dos poetas, fiz alguns versos que socializo. Vivo aprendendo a cada nova leitura, deste mar, que nos acordes das ondas, vou navegando. Saudações, Profa Dra Luciene Fontão, também poeta, por gostar de ler e de fazer Poesia.
1. Poeta pelo caminho
A impressão em louvor é doce essência
De sentimento que expresso desde infância,
Ser eu uma verdadeira poesia por excelência
De voz clara e límpida, na rima indiscreta.
A despeito do respeito que me cabe
Mesmo que não me leiem ou desprezem
Vou descrevendo versos ousados e quimeras
De um dia na primavera ser a esperança.
E nas labaredas das vaidades que convença
Posso dizer em fonemas sólidos e crisálidas
que sou apenas a Ode que eles não sabem.
Por fim, se fizeres de mim puro silêncio
Vais ouvir-me ainda mais pelo caminho,
Por ser poeta e revelar sutis verdades.
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2. Provocação
Se estás aqui, quero agora te ouvir
Não fiques tímido, pare de fingir
Porque fazer rimas é também sorrir
Mesmo quando te apunhalem às costas.
Imagine o som da tua voz calma e doce
Declamando palavras lúdicas ao amado
Que inciúma a lua na extensa madrugada
Reverência certa e quente de versos fortes.
Que sensação em cada alma penetras
A exalar o calor em todas as entranhas
Através da sensualidade de ser poeta?
Como se o corpo sugasse a essência
Da tênue luz desse caos que habitas
Perpetrando a harmonia em poesia.
(Novembro/2020)
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