Conto - Caravana de um sonho
Por Luciene Fontão
Era uma caravana. Muitas pessoas carregavam o pouco que tinham. Eram verdadeiros muros de trouxas em cima de carroças, puxadas por tração humana. Não havia animais. Eram homens e mulheres. Não havia crianças. Era uma turva de gente seguindo uma estrada de chão batido. Não havia carros ou caminhões ou outra coisa que não fosse as carrocinhas de trouxas e mais trouxas. Não havia suprimentos. Ninguém ali tinha fome. Água já não precisavam. Não havia nem sol, nem chuva, nem noite. Era sempre dia a dia. Era tudo muito bege. Certa ocasião, no meio da fila, dois anciãos caíram. Ele já não conseguia carregar o fardo, pois a carroça deles tinha se desmanchado, tamanha a trouxa que carregavam. Alguém passou sem nada nas mãos e disse:
- Larga tudo isso, deem as mãos e sigam. Para onde estamos indo, tudo isso é bobagem. Não vamos precisar dessas roupas.
Ela consentiu. Ele disse que ficaria ali cuidando de tudo. Ela insistiu. Ele não a quis escutar. Ela seguiu, deu dez passos e retornou, porque não podia deixá-lo sozinho. Os dois sentaram na estrada e ficaram ali vendo e observando os passantes. Par em par caminhavam. A certa altura da estrada deixavam tudo que levavam, davam as mãos e seguiam, como aquele homem havia dito. Não saberiam dizer por quanto tempo ficaram. Num certo dia, ele disse: vem comigo. Pegou-a pela mão e disse olhando em seus olhos: não precisamos de mais nada, vamos juntos seguir a estrada. E a caravana seguiu seu curso naturalmente.
(Conto escrito em 18.02.2025 por Luciene Fontão, inspirada em uma boa leitura.)
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Para leitura de fruição.