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segunda-feira, 30 de março de 2026

À memória de Aníbal Nunes Pires - ensaio

        

           A Cadeira 19 da ALF - Academia de Letras de Florianópolis (Criada em 2022, cuja Patronesse é Antonieta de Barros) foi fundada no dia 27 de março de 2026, com a posse que muito me honra, pois o Patrono é o Professor Anibal Nunes Pires, uma referência de Educação, de respeito, de persistência e de talento inconfundíveis. 
       Aníbal Nunes Pires (1915-1975) foi um educador, poeta e intelectual catarinense, conhecido por sua abordagem humanista  e dialógica na educação. Há relatos de que era um Professor que se aproximava dos alunos com afeto, preferindo o diálogo à hierarquia, incentivando a produção de textos e a leitura entre jovens. 
      Lecionou em algumas instituições de ensino na capital, como no Ginásio Catarinense, ainda jovem, a disciplina de Matemática. Depois, tornou-se servidor público,  ingressou no magistério estadual e no federal, onde lecionou Língua Portuguesa, e fundou a faculdade de Filosofia.  
      Em "Anibal Nunes Pires", livro organizado por seu filho o cineasta José Henrique Nunes Pires, mais conhecido como Zeca Pires, há a reunião de textos que refletem suas ideias sobre a docência. Em comemoração ao centenário de seu nascimento, celebrado em 2015,  a sociedade destacou sua influência como mentor de gerações intelectuais em Santa Catarina. Foi editor da Revista Sul até seu passamento. Também, um dos que produziu o primeiro filme rodado na Capital:   “O preço da ilusão” , em que fez enredo e roteiro, inclusive. O documentário “Professor Aníbal”, um filme produzido pelo cineasta Zeca Pires traz depoimentos de personalidades influentes da vida cultural, artística e educacional da cidade de Florianópolis/SC
          Consta que Professor Anibal Nunes Pires sempre foi:  Um homem de ação cultural.  Um arquiteto de pontes entre o conhecimento acadêmico e a sensibilidade artística.  Um semeador, que no solo fértil da Ilha de Santa Catarina plantou o desejo de renovação e de modernidade, sendo um dos precursores do Grupo Sul. Plantou a disciplina do saber acadêmico nas Universidades públicas em que lecionou; e semeou a paixão pela palavra, pela poética, pela poesia. Publicou: "Terra Seca". 
      
       Anibal compreendia a educação e a arte como alicerces, fundamentos para tornar o ser capaz de vencer a finitude humana. Ele ensinou matemática, gramática e literatura. Também ensinou a ver o mundo com olhos críticos e de coração aberto. Para entender a alma do Mestre, nada melhor do que sua própria poesia. Em seus versos, percebe-se a consciência da passagem do tempo, a efemeridade, e a busca por essência:

“O tempo é um rio
 que se perde no infinito,
Mas o que escrevemos 
na margem permanece.
Não somos apenas o que passa,
Somos o eco de tudo
 o que a alma oferece.”
 
          Este eco mencionado, podemos dizer que é o hoje, esse momento de referência como Patrono da Cadeira 19 na Academia de Letras de Florianópolis e da Cadeira 17 da Academia Desterrense de Literatura. São as reverberações da “Revista Sul” e da continuidade do “Grupo Sul”, em que ele teve ativa presença em sua época. Nos filmes produzidos por sua descendência (Zeca Pires), que trazem na essência um legado da cultura. Das aulas que ministrou, nas crônicas dos jornais que editou, de sua liderança intelectual, que colocou Santa Catarina no mapa do Modernismo Brasileiro. 
      
         Que possamos honrar o Professor Anibal, na continuidade de um pensamento educativo e humanista, num olhar crítico e, ao mesmo tempo, valorizar a Cultura e a Literatura como pilares mais altos de nossa sociedade.
     Que a memória de sua sobriedade e elegância continuem a inspirar gerações.

Segundo a saudosa Eglê Malheiros:
“A produção literária de Anibal Nunes Pires diz pouco do grande coração humano e intelectual sério que foi. Os poemas tem gosto de infância, e des-vestem um poeta que olha para fora do tempo, para dentro do espaço e vê a criatura na luta silenciosa da sobrevivência.”
            
 Para o saudoso Rodrigo de Haro:
 [Ele era] um humanista obstinado e um sábio, que cheio de reverência, de melancolia e de ironia, cultivou o caminho mais difícil, a senda que foge da ostentação. A extensa cultura de Aníbal nunca o desviou do sentimento do quotidiano. Nem a perspectiva ilhoa que por certo representava:  esse espírito curioso e lúcido, pleno de fidalguia.

           Sou Luciene Fontão, professora, escritora, pesquisadora, poeta, natural da Ilha de Santa Catarina, nascida em Florianópolis/SC em 28 de janeiro de 1968. Filha de Hailton Luiz Fontão e Valdira Vilain Fontão. Doutora em Literatura e Mestre em Linguística, licenciada em Língua Portuguesa, formada pela UFSC. 
       Encerro esta breve homenagem com as palavras do Professor Anibal Nunes Pires:

“A Educação é a mais valiosa herança que os Pais podem legar aos Filhos".
Referência:
SACHET, Celestino. A Literatura dos Catarinenses: espaços e caminhos de uma identidade. Edição Integral. Palhoça: UNISUL, 2012